Vigilância popular em saúde de base territorial: experiências, redes e formação
Oliveira, Simone Santos, Machado, Jorge Mesquita Huet
Livro · 2026
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Resumo
Este e-book pretende ser uma conjugação do verbo experienciar. Experienciar a determinação social da saúde, assumindo uma perspectiva pedagógica da Vigilância Popular em Saúde (VPS) com foco nas constantes transformações socioambientais e sanitárias relacionadas aos modos de vida e trabalho. Mais do que um conjunto de textos, trata-se de uma construção coletiva que reconhece o território como espaço vivo de produção de saberes, práticas e resistências, em que a experiência cotidiana das comunidades se transforma em conhecimento, ação e emancipação. É importante considerar que experiências territorializadas se articulam de forma transdisciplinar, intersetorial, intra e interinstitucional, constituindo-se como potências produtoras de transformação social e de processos sustentáveis de promoção da saúde, em diferentes dimensões e escalas espaciais. Essa articulação amplia o raio de ação e fortalece a autonomia dos sujeitos, tanto individual quanto coletivamente. Ao colocar a população como protagonista no monitoramento das condições que afetam sua saúde, a VPS contribui para uma visão mais abrangente, democrática e equitativa dos problemas de saúde coletiva. Essa aproximação com os territórios permite compreender de forma mais profunda os processos históricos de vulnerabilização da população brasileira e visibilizar a determinação social do processo saúde-doença. Dessa forma, aponta-se para a superação de um modelo hegemônico de vigilância em saúde centrado em ações verticalizadas e no controle de agravos, frequentemente distanciado da realidade concreta das comunidades e de seus saberes locais. As ações de VPS abrem caminhos para a reconfiguração das práticas institucionais e para o avanço do controle social no SUS. Nessa direção, as ações de VPS dialogam diretamente com a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (PNSIPCFA) e com a Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNAPS), fortalecendo novas formas de relação entre Estado, instituições, movimentos sociais e comunidades. Reconhecer as singularidades dos territórios e construir práticas de saúde que as respeitem não é apenas uma escolha metodológica, mas um compromisso ético e político com a defesa da vida. Este e-book nasce desse compromisso. Que sua leitura não seja apenas informativa, mas também provocadora. Que os textos aqui reunidos possam ser apropriados e recriados a partir das múltiplas interações possíveis. Porque a Vigilância Popular em Saúde só existe verdadeiramente quando circula, se compartilha e se reinventa coletivamente.